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terça-feira, 18 de maio de 2010

_ninna.

Por que os pombos andam ritmando passos com a cabeça: pé direito, cabeça pra frente; pé esquerdo, cabeça pra frente? Eu não quis sentar do lado do maluco que eu vejo no metrô gritando para o vazio: "não me siga, Elisabeth, não me siga!" Pés de meias diferentes em pés de carne iguais. Dedos inchados e álcool gel depois do transporte público. Tem um cara num realejo na esquina. Cidade é granada. Informações em fragmentos destrutivos. - Carol Bazzo, ou Ninna. Conto: "Película", in cosmonirico.blogspot.

terça-feira, 30 de março de 2010

Em Santos

Amigo meu foi prá Santos com a namorada, e andando por uma avenida de lá, um cara (parece que armado) pára eles dizendo:
- Passa o celular, passa o celular!
Os dois entregam seus celulares, ao que o cara diz pro meu amigo:
- Pode guardar! O seu celular é uma badarosca!
E segue seu caminho, munido apenas do celular da namorada do amigo meu.

terça-feira, 23 de março de 2010

No ponto de ônibus

- É, tá difícil.
- Mas vai melhorar!
- Será?
- Deus tá do nosso lado. A gente tem que acreditar em Deus...
- Eu acredito.
- Se Ele tá do nosso lado, é porque vai melhorar.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Paris, Cidade Invisível

Livro virtual genial de Bruno Latour.
Aqui consigo perceber muito melhor o que é sociologizar como uma formiga.

Seu caminhar pela cidade desvela os territórios e desterritórios de que somos e fazemos parte, pondo em xeque a todo o momento as divisões classificatórias entre indivíduo (pessoa) e sociedade (ou seja lá o que for isso).

Acesse-o aqui

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Deus gosta de advérbios

Antes, meu amigo Alfredo usava camiseta do Pennywise. Hoje, um dinossauro anda pela tela do meu computador. É o preço da gasolina, é o prazo de entrega, são lunáticos pintando cartazes pela ajuda humanitária enquanto a gente aqui, que vive no mundo real, não tem dinheiro para pagar a tarifa do ônibus que o prefeito aumenta igual troca de cueca. Antigamente, os jovens passavam tardes e noites na praça da prefeitura, sentados no chão, na grama, em rodas de fumo, de vinho barato, de RPG. Dia desses, fui encontrar uma amiga lá no MACC e encostei no corrimão para esperar. Veio o guardinha, e disse que eu não podia encostar no corrimão. Cansei de ficar de pé, fui sentar na escada. Veio o guardinha e disse que eu também não podia sentar na escada. Me indicou um banco, lugar apropriado para meu corpo docilizado pelo guardinha. Sentei no banco, e - quem eu vejo? - o guaridinha, lá de longe, me indicava que eu não podia me sentar de pernas cruzadas, me mostrando a maneira correta e policiada de posicionar meu corpo em um espaço (não mais) público. Eu nem vejo mais aqueles monges que andavam de marrom por aí.
"- Dizem que o líder dele foi internado num hospício, acusado de estar louco!", comenta a velha que dá comida aos pombos no largo do rosário, enquanto eu passo, e pasmo.

- Alice na cidade.

Literatura Chinesa: Shangai Baby, de Wei Hui

Banido publicamente do território chinês, como nos bons velhos tempos da Revolução Cultural, este romance irreverente conta a história de Coco, uma empregada de café cuja curiosidade e entusiasmo pela vida conduzem a um destino alucinado sob o cenário cintilante das noites de Xangai. Dividida entre dois amantes e consumida pelos sentimentos contraditórios de relações inconciliáveis, Coco começa finalmente a perceber quem é. Este será o primeiro passo para reivindicar a sua liberdade numa China à beira da revolução social e sexual.

Wei Hui (lê-se Uei-Uei) nasceu e 1973. Filha de um oficial do exército chinês, passou três anos da sua infância instalada num templo ocupado pelas forças militares, que expulsaram os monges durante o caos da Revolução Cultural. Estudou literatura na Universidade de Fundan, em Xangai. Depois da publicação deste romance, Wei Hui passou de estrela em ascensão da nova geração a escrava debochada e decadente da cultura ocidental. Wei Hui diz-nos que este romance é uma história semiautobiográfica sobre o seu amadurecimento espiritual e sexual. «Cresci no seio de uma família muito severa. O meu primeiro ano de faculdade passou-se num campo de treino militar. Depois disso, a revolta e a subversão eram inevitáveis. E foi sobre isso que escrevi.»

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Narrativa Alicianesca


The Nutcracker and the Mouseking é o filme, dirigido por Tatjana Ilyna (USA, 2004). Uma estética fascinante, que faz rememorar muito a narrativa de Alice no País das Maravilhas, no que diz respeito ao posicionamento da personagem principal e o que ela "vê" no mundo fantástico que atravessa, aqui também pelo espelho. Ótimo modo de se pensar uma narrativa etnográfica, com os mundos observados se comportando como bonecos desengonçados, tal qual o quebra-nozes daqui.

domingo, 10 de maio de 2009

Etnografia

"Para desaguar em uma escrita etnográfica a própria pesquisa precisaria ser uma "pesquisa etnográfica" (seja de campo ou em arquivo, ou com outros meios. Seja utilizando-se parcialmente dados quantitativos). Mas, como torná-la uma "pesquisa etnográfica"?" - Suely Kofes.

(sobre se a etnografia é só escrita ( e se se trata de encontrar a narrativa adequada) a proposta de Suely é considerá-la como "pesquisa e escrita").

sábado, 25 de outubro de 2008

Pico Iyer - Travel Writer

How did you get started traveling?

I think I was lucky enough to be a traveler from birth, as a child of Indian parents born in England (and an England where I never saw an Indian face), and then moving to California when I was seven and beginning to go to school, three times a year, by plane. And once the movement was in my blood, I could never get it out!

So as soon as I finished high-school I worked in a Mexican restaurant in Southern California, and saved up enough money to spend three months traveling by bus from Santa Barbara down to La Paz, Bolivia, and then flying up the western coast of South America, through Brazil and Suriname and the West Indies, up to Miami, where I took the Greyhound home. (After which, college itself was nothing but a sorry anticlimax).

And as soon as I went to graduate-school, I signed up to spend my summer vacations writing for the Let's Go series of guidebooks, covering 80 towns in 90 days while sleeping in gutters and eating a hot dog once a week. And as soon as I joined Time magazine two years later, I took three separate vacations in Asia in the space of a year.
At every point, travel taught me that everything else paled by comparison.

How did you get started writing?

I think being an outsider, as I always was, proved to be a perfect background, and launching pad, for writing (and for traveling). Wherever I was, I was on the outside, taking notes, as it were — even when I was just walking down the street where I was born to the candy store. And I quickly found, too, that traveling quickened my longing to write; usually I never keep a diary, but as soon as I'm on the road, I find that all that I want to do is scribble and scribble and scribble in a somewhat quixotic attempt to catch all the experiences and impressions and feelings that are flooding through me. At some point I thought, "If I'm doing all this writing for myself, I might as well inflict it on some friends."